Vinil Vários Artistas - Ainda Estou Aqui (Trilha Sonora)
Estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello e dirigido por Walter Salles, “Ainda estou aqui” entrou para a história do cinema brasileiro por haver conquistado o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2025, um feito inédito para o Brasil. Para a trilha sonora que conta a história de Eunice Paiva, mulher de um ativista político desaparecido durante o golpe militar de 1964, o diretor foi por dois caminhos. Para começar, encomendou boa parte das músicas ao multi-instrumentista e compositor australiano Warren Ellis, que já havia assinado diversos trabalhos com Nick Cave, como as trilhas de “Blonde” e “Back to black”, e sozinho mesmo, de “Django”. São dele as inéditas “Tunnel”, “Prison”, “Shower”, “Restaurant”, entre outras, que eletrizam o expectador. Por outro lado, Waltinho utilizou diversas gravações originais registradas nos anos 1970 por grandes artistas da MPB, algumas das quais, somadas às composições originais, são revividas neste álbum pela Universal Music que, além do streaming, chega agora ao vinil, um formato que parece um tanto adequado à “resistência” proposta pelo filme, de valorização da memória, história e cultura brasileiras.
Entre os destaques, estão Gal Costa (a sua releitura algo psicodélica para o velho hit de Luiz Gonzaga, assinado pelo seu parceiro Zé Dantas, “Acauã”, repescado do famoso LP “Legal”, de 1970); Juca Chaves (a irônica “Take me back to Piauí”, lançada em compacto pelo cantor e humorista em 1970, uma resposta paródica ao hit de Paulo Diniz, “Quero voltar pra Bahia”); Tom Zé (“Jimmy Renda-se”, igualmente irônica, registrada no primeiro LP do artista, em 1970); Os Mutantes (“Baby”, sucesso de Gal em 1968 e 69, e revisitado em inglês pelos roqueiros tropicalistas de São Paulo, em seu quarto álbum, “Jardim elétrico”, de 1971) e Erasmo Carlos (a inconformista “É preciso dar um jeito, meu amigo”, do hoje “cult” LP “Carlos, Erasmo”, de 1971, o maior destaque da trilha, conquistando 4 milhões de ouvintes no TikTok na época de lançamento do filme, de versos de Roberto & Erasmo, como “Mas não vou ficar calado / No conforto, acomodado / Como tantos por aí”). Por fim, a corrosiva “Fora da ordem”, lançada por Caetano Veloso em seu álbum “Circuladô” (1991) se mostra mais atual do que nunca no contexto dessa trilha, bem como no mundo de hoje, enforcado entre fake news e o revival de discursos autoritários: “Alguma coisa está fora da ordem / Fora da nova ordem mundial...”.
Repertório do LP:
Lado A:
1. É preciso dar um jeito, meu amigo – Erasmo Carlos (Roberto Carlos/Erasmo Carlos)
2. Tunnel – Warren Ellis (Warren Ellis)
3. Prison – Warren Ellis (Warren Ellis)
4. Jimmy Renda-se – Tom Zé (Tom Zé/Waldez)
5. Shower – Warren Ellis (Warren Ellis)
6. Dog funeral – Warren Ellis (Warren Ellis)
7. Acauã – Gal Costa (Zé Dantas)
Lado B:
1. Take me back do Piauí – Juca Chaves (Juca Chaves)
2. Letter – Warren Ellis (Warren Ellis)
3. Swin – Warren Ellis (Warren Ellis)
4. Baby – Os Mutantes (Caetano Veloso)
5. Restaurant – Warren Ellis (Warren Ellis)
6. Memories – Warren Ellis (Warren Ellis)
7. Fora da ordem – Caetano Veloso (Caetano Veloso)